Projeto 6 on 6 Canada – Dezembro 2019 – 6 coisas que precisei aprender depois que me mudei para o Canadá

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Hoje, dia de 6 de Dezembro, é dia de compartilhar o último post de 2019 parte do Projeto 6 on 6 Canada. Para esse mês, escolhemos um tema que poderá ser interessante para todos os que estão planejando vir morar aqui. Falarei sobre 6 coisas que precisei aprender depois que me mudei para cá.

Na vida, independentemente de onde estamos localizados geograficamente, somos expostos diariamente a novos acontecimentos e aprendizados, mas nem sempre nos damos conta, muitas vezes por estamos ligados no piloto automático. Quando decidimos mudar para um novo país, temos a impressão de que a exposição às coisas novas aumentam, e obviamente isso é uma verdade, mas acredito também que ficamos mais ligados e sensíveis a elas, e por isso, aproveitamos melhor as oportunidades de aprendizado.

Entendo que esse post é interessante para quem está do outro lado, se preparando para embarcar numa mudança assim tão grande, porque ele é um exemplo de que a vida fora do nosso país nos leva a fazer coisas que nunca nos imaginávamos fazendo antes, e que, no final das contas, o inesperado pode virar algo muito bom. Segue abaixo a minha lista das coisas que aprendi até o momento.

1-      Não passar tanta vontade

Se eu deixasse, esse post inteiro seria gastronômico, pois umas das coisas que precisei aprender aqui no Canadá, foi cozinhar os pratos brasileiros que mais sinto saudade de comer. Se você fizer uma pesquisa com brasileiros que moram no exterior, e perguntar o que sentimos mais saudade do Brasil, a grande maioria responderá que sente falta da nossa comida. Assim, aprendi aqui que não posso ficar dependendo de restaurantes brasileiros ou de outras pessoas quando eu sinto vontade de comer os meus pratos favoritos. Pesquisei receitas na internet, assisti videos, comprei os ingredientes, e fui à luta.

Já fiz feijoada, coxinha, esfiha, canjiquinha mineira, tutu de feijão, além de outras coisas que sinto vontade de comer de vez em quando. Os ingredientes para esses pratos são possíveis de ser encontrados por aqui, portanto, aquilo que dá para fazer, não fico mais esperando alguém fazer para mim. Esse foi um aprendizado que levarei para a vida.

2-      Não sair de casa amarrotado

Há alguns meses eu movimentei os stories do Instagram com a pergunta “Você passa a sua roupa no Canadá?” e vi pessoas de várias cidades daqui expressando a opinião delas sobre esse assunto. A minha resposta para a pergunta foi que sim, eu passo as minhas camisas sociais que uso para trabalhar, pois não gosto de sair de casa com as roupas amassadas.

Acontece que eu nunca tinha precisado passar uma camisa social antes, então, foi algo que precisei aprender. E como é que um marmanjo aprende alguma coisa hoje em dia? Pesquisando na internet, é claro. Encontrei um vídeo no Youtube de uma senhorinha ensinando técnicas para passar bem uma camisa social. O que eu fiz? Comprei uma tábua, um ferro e coloquei a mão na massa.

Hoje, ligar o ferro e passar a camisa que vestirei no dia já virou um hábito, mas no começo, confesso que precisava acordar muito mais cedo para fazer isso. Não tenho paciência para passar todas as camisas de uma só vez, então acabo fazendo isso na manhã antes de ir trabalhar e passo apenas uma.

 3-      Medo do telefone

Eu não sei vocês, mas eu não gosto nenhum pouco de falar ao telefone, principalmente, aqui, em inglês. Essa foi uma das coisas que precisei aprender na marra: encarar o medo.

É muito comum aqui, por uma questão logística, termos reuniões por telefone (conference calls), e isso me deixava em pânico no início. Além disso, sou o responsável por fazer as ligações para as referências dos candidatos que contratamos aqui na empresa. Desta forma, com medo, ou sem, eu tenho que encarar o desafio e ligar. Acho que a lição que aprendi aqui, foi muito mais do que simplesmente perder o medo de falar ao telefone, e sim o fato de encarar os desafios que aparecem. Sim, mudar de país faz com que tenhamos que enfrentar alguns obstáculos, muitas vezes, pessoais, e sempre acabamos aprendendo com eles.

Ainda não gosto de fazer ou atender uma ligação quando tem gente perto de mim, mas isso foi se tornando cada vez mais natural com o passar do tempo. Claro que o desenvolvimento do idioma ajuda bastante nesse processo, então, espero que daqui um tempo, essa insegurança de falar, vá ficando cada vez mais parte do passado.

 4-       O amargo também pode ser bom

Por estar diretamente relacionado aos cuidados com a saúde, acredito que esse aprendizado aconteceria independentemente da minha vinda para o Canadá, entretanto, acho que pelo meu consumo de café ter aumentado bastante desde que cheguei aqui, entendo que devo sim incluir esse item na lista das coisas que precisei aprender desde que cheguei. Sim, aprendi a gostar de café sem açúcar, coisa que jamais me imaginei fazendo quando morava no Brasil.

É muito comum por aqui, no meio do expediente de trabalho, alguém se oferecer para ir ao Tim Hortons (ou afins) para buscar um café para os demais do escritório. Nem sempre eu acabo tomando, mas confesso que várias vezes eu acabei pedindo um  apenas porque os demais colegas estavam comprando também. Se cada vez que eu fizesse isso eu adicionasse açúcar, o meu consumo aumentaria demais, e todos sabemos que isso não é recomendável. Assim, depois de muita cara feia, me forcei a tomar o café sem açúcar, e depois de alguns dias, eu já estava totalmente acostumado com isso.

Em minha visita recente ao Brasil, deixei todos de casa espantados quando eu disse que tomaria meu café amargo. Aliás, durante os dias que estive por lá, todos da minha casa acabaram aderindo, mas sempre reclamando e fazendo caretas. Tenho certeza de que quando vim embora, já retornaram aos velhos hábitos.

A verdade é que hoje me sinto bem fazendo isso, então é algo que acabou sendo benéfico e que vale a pena continuar.

5 – Perder o sono quando preciso

Sabe essa foto do café aí de cima? Pois bem, vou usá-la novamente aqui, pois ela está diretamente relacionada com o quinto item da minha lista.

Já tem aproximadamente 2 anos que precisei aprender a fazer algo que nunca me imaginei fazendo antes: trabalhar no turno da noite. Posso dizer, com toda certeza, que esse é um dos maiores desafios que enfrentei por aqui.

Em toda a minha carreira profissional no Brasil, sempre trabalhei em escritório e, normalmente, dentro do horário comercial. Quando fui contratado aqui no Canadá, sabia que estava trabalhando em uma organização que atua 24 horas por dia, 7 dias na semana, no entanto, o escopo do meu trabalho pertencia ao horário comercial e nunca precisei me preocupar com isso. Com o passar do tempo, e com o crescimento das responsabilidades e funções, acabei sendo inserido no time de gestores que trabalham em prontidão, ou seja, que precisam estar aptos a trabalharem fora do horário normal caso exista uma necessidade.

Essa semana, por exemplo, recebi uma ligação no meio da noite (1 da manhã para ser mais exato), que demandava a minha presença no escritório. Não tive nem tempo de pensar duas vezes. Levantei, troquei de roupa, lavei o rosto, escovei os dentes e pronto, fui trabalhar. Vocês conseguem imaginar o quanto isso é difícil para alguém que não está acostumado com a vida noturna? Nem em festas eu consigo ficar acordado a noite toda, quem dirá no trabalho, onde não apenas preciso me manter alerta, como também preciso ser produtivo. E por mais difícil que isso seja para mim, eu consegui fazer. Gosto? De jeito nenhum, mas ao final do meu dia de trabalho, eu tenho aquela sensação de dever cumprido, e isso sim me dá o maior orgulho. Não sou acionado por qualquer motivo, e quando sou, sei que minha presença é fundamental, então, mesmo contrariado, vou e dou o melhor de mim. Isso sim é o que eu chamo de crescimento e aprendizado.

6- Não precisei aprender, mas aprendi mesmo assim

Nem tudo aquilo que aprendemos tem que ser fruto de algo ruim, certo? Pois bem, desde que me mudei para o Canadá, aprendi a gostar de cerveja. Isso também foi uma novidade para os meus familiares quando fui lá visitá-los.

Já escrevi aqui no Blog sobre a minha sensação ao visitar o LCBO na época em que ele era um dos únicos lugares que vendia cervejas aqui em Ontário. Com o tempo, fui me acostumando a frequentar as lojas de bebidas e escolher diferentes cervejas para provar, seja porque alguém recomendou, porque gostei da embalagem, ou porque fiquei curioso mesmo para saber o sabor. Também fiz um post aqui no Blog provando diferentes cervejas, e agora que estou falando sobre isso, percebi que já está na hora de fazer isso de novo.

A verdade é que depois que cheguei aqui comecei a gostar de beber uma ou duas cervejas quando estou com amigos, ou mesmo quando estou sozinho, principalmente enquanto cozinho. Nunca ultrapasso os meus limites e também não bebo todos dias. Quando estou de prontidão, por exemplo, como citei no item acima, nem posso pensar em tomar uma geladinha, mas quando estou livre, gosto sim de provar as cervejas locais ou simplesmente, repetir aquelas que se tornaram minhas favoritas.

Alguém mais aí aprendeu a gostar de cerveja depois que chegou aqui? Se sim, me conte aqui nos comentários e me deem sugestão de cervejas para eu provar.

Agora que já listei as 6 coisas que aprendi desde que cheguei no Canadá, convido-os a visitar também os demais blogs participantes deste projeto. Tenho certeza que as experiências relatadas por lá, acrescentarão ainda mais para aqueles que vivem ou pretendem morar aqui no Canadá.

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Priscila – Victoria – Embarque com a Pri 

Elisa – Edmonton – Casei e Mudei

Mariana – Calgary – Mariana Day Blog – De bem com a vida no Canadá

Dani – Newmarket – Vidal Norte

Gabriela – Toronto – Gaby no Canadá

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