Depois de virar a página

No dia em que completamos 7 meses de Canada, eu – Mari, decidi colocar no papel e tentar expressar um pouco do que eu aprendi com essa experiência até agora.

Bom, quem me conhece, sempre soube que meu maior desejo era morar fora do Brasil. Não por motivos pelos quais hoje em dia a maioria dos brasileiros reclama: corrupção, transporte, saúde, educação, Dilma, bolsa família, 7×1 e por aí vai – não, esses não foram os meus motivos. Mas sim pelo simples fato de estar em um lugar onde desde os meus 5 anos de idade sonhei estar. Ser feliz. Eu simplesmente queria, quis e fiz assim.

Quando chegou a confirmação de que nosso visto havia sido aprovado, foram inúmeras as vezes em que me falaram que eu estava saindo do país na hora certa. Mas cá pra nós, que hora? Pois para quem decide se jogar de corpo e alma em uma nova cultura, pensa apenas naqueles que ficariam para trás, em como seriam as tardes de domingo sem o café da tarde com a irmã, filme com os amigos, a impossibilidade de um bate-volta rápido na casa da mãe para matar a saudade, mesmo que por um dia. É nisso que a gente pensa.

Não quero entrar em questões políticas, pois com o português claro de língua mãe: d-e-t-e-s-t-o, e acho uma falta de respeito uma pessoa ser rotulada pela escolha de partido, opção sexual, quantia de dinheiro no bolso, cargo, time de futebol, vestimenta, etc. Pessoas que tem a mania de externar o bem material me dão sono, me cansam e perdem a vez.

Estar longe da família significa estar em constante busca pelo equilíbrio espiritual. Quero dizer, a tarefa diária de lidar com a falta da presença é bastante puxada e temos que nos fortalecer lembrando o motivo pelo qual começamos. Além disso, a distância física, no entanto, mascara o sentimento de muita gente que decide morar fora. E garanto que é bem fácil ver isso por aí.

Família e amigos fazem parte dos anos. Das 52 semanas e dos 365 dias contidos em cada um deles. Anos. Tudo isso significa tempo, e leva mesmo tempo para vermos nascer uma amizade, laço de confiança e respeito absoluto.

Com 7 meses de Canadá, passei a entender mais ainda a diferença entre qualidade e quantidade. A difícil tarefa da gente ser quem é, não é fácil. Mesmo assim, só espero que meus dias por aqui sejam mais recheados de pássaros cantando, energias positivas que chegam a cada amanhecer através das mensagens sinceras daqueles que, com todos os motivos do mundo, só querem o nosso bem.

Recomeçar é começar do zero. É pegar uma folha em branco para escrever uma nova história, e ainda assim tendo a sorte de continuar com os mesmos personagens de antes…

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