O inevitável momento da despedida

No momento em que decidimos que era hora de iniciarmos uma nova jornada em outro país, não imaginávamos o quanto teríamos que conviver com um novo sentimento que até então era pouco conhecido por nós: o da despedida.

Precisamos nos despedir dos amigos, da nossa casa, da família. Ah, a família! A despedida no aeroporto foi de longe a mais difícil. Os abraços apertados, o choro que insistia em cair, as palavras calorosas, as lembranças guardadas dentro da mala. No momento em que cruzamos o portão de embarque, ainda meio desnorteados, jamais imaginávamos que teríamos que conviver com as despedidas ainda por muito tempo.

Precisamos aprender a nos despedir do calor e abrir espaço para o frio chegar. Assim como também nos despedimos da neve para receber de braços abertos as flores que trouxeram uma paisagem inacreditável para os nossos dias. Mas não podemos esquecer que logo o tempo se encarregará de levar as folhas e teremos que, uma vez mais, dizer “até breve” para a estação do ano que mais gostamos.

Isso sem contar aquele aperto no peito sempre que desligamos o telefone. Uma vontade de ficar mais tempo se olhando pelas câmeras, mas o tempo não para e o dever nos chama. Se despedir, mesmo que virtualmente, é um exercício que fazemos periodicamente.

E por falar em tempo, que bom que ele traz as visitas. Depois que elas chegam, vivem um pouco da nossa rotina, da nossa experiência e entendem, de certa forma, as nossas escolhas. Mas quando chega a hora de irem, parece que aquela despedida lá no aeroporto de São Paulo foi fácil demais. Invertemos os lados. Agora são eles que vão e levam consigo um pedaço de nós. A casa fica vazia, aquela bagunça de malas não está mais lá. Chegar em casa depois de um dia de estudos e trabalho já não é mais a mesma coisa.

Ainda bem que isso passa. Até disso temos que nos despedir. A vida não para e a força para enfrentar os obstáculos precisam ser renovadas a cada dia. Não é fácil, mas é preciso.

E logo mais, tudo acontecerá novamente. Novas visitas virão e com elas, novas despedidas.

O que elas não sabem, no entanto, é que nós também roubamos um pedacinho deles e que não deixamos eles levarem embora. Eles também ficaram por aqui. E que bom que agora já aprenderam o caminho e sabem que podem voltar a qualquer momento.

Estamos aqui esperando…

Um comentário

  1. Muito tocante esse post!
    Realmente, o lado mais penoso é a distancia, as despedidas…
    Mas como disseram, as pessoas acabam entendendo o lado de quem sai, também.
    Eu acredito que o mundo é grande demais para nascermos e morrermos no mesmo lugar…
    Bjs, Tata.

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