Ruas de Hamilton: Locke Street South

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Após longos meses interditada para o tráfego de veículos, a Locke Street South está finalmente aberta para carros e ônibus.

Mas quem ainda não conhece Hamilton, provavelmente não entende o porquê de tamanha celebração. A Locke Street é, na minha opinião, umas das ruas de Hamilton que mais tem a cara de cenário de filmes natalinos ou aqueles bem água com açúcar que costumavam passar na sessão da tarde no Brasil.

Aliás, para quem está no Brasil, tem uma série disponível no Netflix chamada The Good Witch, que apesar de se encaixar perfeitamente na categoria água com açúcar, é gravada em Hamilton, e a Locke Street sempre aparece por lá. Recomendo a série, não pelo enredo, mas para ver, em cena, diferentes lugares daqui da cidade.

Mas voltando ao motivo que faz com que essa rua seja tão charmosa, é que ela é uma combinação perfeita de casas residenciais, igrejas, comércio local, restaurantes e cafeterias, tudo num mesmo lugar. Aliás, as obras na rua que tiveram início nos primeiros meses de 2019, só terminaram agora em Dezembro, e isso prejudicou demais os comerciantes da região. Não é novidade que os Canadenses são muito dependentes de seus carros, portanto, frequentar uma rua de comércios e bares e não poder dirigir até lá, fez com que muitas pessoas escolhessem outras áreas da cidade para fazer compras e buscar opções de entretenimento.

Um dos principais pontos de encontro da Locke Street, é a mais famosa casa de donuts aqui da cidade. O Donut Monster é tão visitado, que não consegui, sequer, tirar uma foto da loja, pois sempre que tentava,  tinham pessoas em frente conversando. A cafeteria foi alvo de vandalismo em Março de 2018 por um grupo de “protestantes” que quebraram as janelas de vidro e trouxeram grande prejuízo para os proprietários. Mesmo assim, o Donut Monster conseguiu se reerguer e, frequentemente é obrigado a fechar o expediente mais cedo, pois a procura por donuts é tão grande que eles vendem tudo antes do dia acabar.

A Locke Street também é sede de festivais de rua, sendo um durante o verão e outro mais próximo do Natal, para incentivar as pessoas a fazerem compras nas lojinhas locais. Essas incluem antiguidades, livros, calçados, meias, artigos de decoração, brinquedos infantis, etc.img_4091

Um dos meus locais preferidos é uma cafeteria aberta aos animais de estimação. Já levei a Alice lá algumas vezes, e os cachorros podem transitar livremente, com exceção da área da cozinha, claro. Eles têm inclusive eventos em que reúnem uma determinada raça de cachorros no mesmo dia, mas quando promoveram o encontros dos shih tzus eu não pude levar a minha menina.

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O meu primeiro contato com a Locke Street ocorreu logo que cheguei no Canadá, enquanto estava abrindo a minha conta bancária por aqui. O gerente do banco, quando soube que eu moraria próximo à região central de Hamilton, me disse que não frequentava muito o centro da cidade, porém gostava bastante dessa rua badalada que ficava próxima de downtown. Quando perguntei mais sobre a rua, ele me disse que ela era bem popular por causa dos bares e restaurantes. Assim que tive uma oportunidade, fui conhecer por conta própria, e entendi o motivo dela ser tão conhecida.

No último sábado fui dar uma volta por lá e aproveitei para tirar algumas fotos de alguns dos comércios que me chamaram a atenção. Separei-os em categorias, assim vocês terão uma melhor ideia de como é a rua.

Bares e Restaurantes

 

Igrejas

 

Lojas

Além dos lugares que postei acima, tem salões de beleza, barber shops, uma unidade da biblioteca pública, corretora de imóveis, oficina mecânica, enfim, é uma mistura que faz parte do charme da rua.

Espero que agora, com a abertura da rua e a proximidade do Natal e todas as compras geradas por ele, o comércio local consiga se reerguer e a rua volte a ter a vitalidade que tinha antes. Enquanto isso, recomendo a todos vocês que estão lendo esse texto, que passem por lá para conhecê-la quando estiverem em Hamilton.

Um abraço a todos, e até a próxima!!!

 

Reflexões sobre o College no Canadá

Nessa primeira semana de Dezembro, acompanhei nas redes sociais, seja através de Stories ou vídeos do IGTV, uma série de depoimentos a respeito das experiências com o College aqui no Canadá. Em sua maioria, esses depoimentos trouxeram relatos bem negativos, seja pelo nível das aulas ministradas, a qualidade dos professores, o desleixo com o material que é apresentado em sala de aula, e tudo isso, atrelado à insatisfação com o valor da tuition do College.

Quando vi esses depoimentos, comecei a refletir sobre a minha própria experiência, já que também vim para o Canadá como estudante internacional de College. Me lembrei que tive críticas pontuais a respeito de um professor ou outro, mas que no geral, a minha experiência no Mohawk College aqui de Hamilton, tinha sido muito positiva.

Como já tem 3 anos que me formei, pedi nas redes sociais para que os estudantes atuais do Mohawk se manifestassem sobre o assunto, afinal, as coisas poderiam ter mudado desde 2016. Sem surpresas, recebi informações que a qualidade das aulas e o nível dos professores, continuam sendo pontos positivos. Obviamente existem coisas que precisam ser melhoradas, mas a experiência geral é bem satisfatória.

Mas e a tuition? É justo pagar 3 vezes mais que um estudante doméstico?

Essa é uma questão um tanto quanto polêmica. Eu, por exemplo, faço parte do time que adoraria que o valor do College fosse mais barato. Fiz um curso de 4 semestres, sendo que 3 deles foram no mesmo ano, por ser uma opção de curso fast track. Agora imaginem: tive que pagar em um mesmo ano, aquilo o que as pessoas que fazem o curso normal pagam em 2. Não tive o verão para poder respirar e ganhar um dinheiro para complementar o valor do programa. Foi assim, uma facada no peito para pagar tudo. Utilizei todas as minhas economias do Brasil e sequei a fonte. Mas, eu sabia que assim seria, e mesmo assim decidi fazer.

Acontece que, mesmo torcendo para que o College fosse mais barato, tenho que ser maduro o suficiente para entender o porquê isso não acontece.

Quando falamos em College Público aqui no Canadá, sabemos que ele não é gratuito. Mas se não é gratuito, por que é público? Porque os colleges são financiados pelo Governo e os alunos domésticos recebem um subsídio para estudar lá. Se esses mesmos alunos tivessem optado por um college privado, não receberiam essa ajuda do governo, e, consequentemente pagariam mais pelo ensino.

Podemos nos perguntar aí por que somente os alunos domésticos tem o subsídio, mas entendo que é fácil de chegar a essa conclusão, já que o Canadá valoriza o seu povo, e, portanto, prioriza os cidadãos canadenses e aqueles que já são residentes permanentes.

Agora imaginem um cenário em que o país reduz o valor da tuition do College dos estudantes internacionais, igualando-o ao dos estudantes domésticos. Um sonho, certo? Não sei não. Penso que se isso acontecesse, os americanos que vivem nas regiões da fronteira viriam em peso estudar aqui. Além deles, chineses, indianos e outras comunidades que já ocupam os corredores das faculdades e universidades Canadenses hoje em dia, viriam em número ainda maior. Sabe o que aconteceria? Faltariam vagas para os estudantes domésticos, pois assim como qualquer outro recurso, as vagas são limitadas. Mas alguém pode dizer: é só limitar a entrada de estudantes internacionais.  E o que isso causaria? Na minha opinião, vistos negados aos montes!!!

Se o governo Canadense tivesse um número limitado de entradas para estudantes e tivesse que decidir entre alguém como eu, que ralou para conseguir juntar o dinheiro para pagar uma faculdade aqui, e alguém que já vem como o dinheiro não só da faculdade, mas também para comprar um carrão importado e movimentar a economia do país, quem vocês acham que seria contemplado com vagas tão restritas? E quem mora aqui no Canadá entende muito bem o que estou me referindo agora. Muitos dos estudantes internacionais, principalmente das Universidades, vêm de famílias tradicionais em seus países de origem, e dinheiro para eles não é um problema, como é para a maioria de nós brasileiros.

Além disso, ouvi de uma professora na época em que estudei no Mohawk, que a receita que os estudantes internacionais geram para a faculdade, contribui para as melhorias que são realizadas por lá. Aqui em Hamilton, por exemplo, nos últimos 10 anos, o Mohawk construiu 2 novos prédios em seu campus. O último deles, foi depois que eu finalizei o meu curso lá. Visitei a escola, esses dias, para uma formatura e fiquei impressionado com essa nova adição. Ficou sensacional! Assim, por mais que eu tenha praticamente deixado meus braços e minhas pernas lá para pagar o valor da minha tuition, fico contente de ver que aquele valor foi bem empregado em melhorias. Se pretendo morar permanentemente por aqui, saber que em minha comunidade existe um college com boa reputação e com uma infraestrutura de qualidade, me trás segurança para o futuro, afinal, muitos de nós, temos filhos e queremos que eles também tenham acesso ao ensino de qualidade.

E por falar em qualidade, se é isso que está faltando no College de outras cidades aqui do Canadá, eu entendo perfeitamente a frustração dos alunos e apoio, sem sombra de dúvidas, que isso seja divulgado nas redes sociais, para que outras pessoas que estão planejando vir, tenham a opção de escolher se querem ou não estudar lá. Fico entristecido de ver que nem todos estão tendo a mesma oportunidade de ter professores tão profissionais como os que eu tive. Espero que isso mude. Continuem reclamando caso não estejam recebendo por aquilo o que estão pagando.

Para quem está no Brasil ainda se planejando, minha sugestão é, que depois desses relatos que surgiram na internet nos últimos dias, vocês pesquisem ainda melhor as faculdades para o qual vocês estão se programando. Se para isso vocês precisarão morar em cidades diferentes das que vocês pensaram originalmente, façam isso! Já vi muitas pessoas que estudaram no Mohawk e depois mudaram para outras cidades com melhor mercado de trabalho. Acho isso muito válido. Não escolham uma cidade que tem um college com má reputação somente porque será mais fácil conseguir um emprego lá. É melhor se apertar no início, mas receber um ensino de qualidade que fará seu investimento (3 vezes maior do que um estudante doméstico) valer a pena, do que mudar de cara para uma cidade em que você acredita que conseguirá o emprego dos sonhos, mas ver a sua economia de tantos anos no Brasil ser jogada no lixo.

Quero deixar claro aqui que essa reflexão é totalmente pautada na minha opinião pessoal e, não deve ser levada com uma verdade universal. Agora, se você compartilha desta minha opinião e acredita que essa informação mereça ser conhecida por um número maior de pessoas, peço a sua ajuda compartilhando esse texto com os seus amigos que pretendem morar e estudar no Canadá. O valor da tuition é sim exorbitante para nós brasileiros, mas torcer para que ele seja reduzido, em minha opinião, apenas fará com que a nossa chance de estudar aqui fique cada vez mais distante da realidade.

Um abraço a todos, e até a próxima!!!

 

 

 

Projeto 6 on 6 Canada – Dezembro 2019 – 6 coisas que precisei aprender depois que me mudei para o Canadá

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Hoje, dia de 6 de Dezembro, é dia de compartilhar o último post de 2019 parte do Projeto 6 on 6 Canada. Para esse mês, escolhemos um tema que poderá ser interessante para todos os que estão planejando vir morar aqui. Falarei sobre 6 coisas que precisei aprender depois que me mudei para cá.

Na vida, independentemente de onde estamos localizados geograficamente, somos expostos diariamente a novos acontecimentos e aprendizados, mas nem sempre nos damos conta, muitas vezes por estamos ligados no piloto automático. Quando decidimos mudar para um novo país, temos a impressão de que a exposição às coisas novas aumentam, e obviamente isso é uma verdade, mas acredito também que ficamos mais ligados e sensíveis a elas, e por isso, aproveitamos melhor as oportunidades de aprendizado.

Entendo que esse post é interessante para quem está do outro lado, se preparando para embarcar numa mudança assim tão grande, porque ele é um exemplo de que a vida fora do nosso país nos leva a fazer coisas que nunca nos imaginávamos fazendo antes, e que, no final das contas, o inesperado pode virar algo muito bom. Segue abaixo a minha lista das coisas que aprendi até o momento.

1-      Não passar tanta vontade

Se eu deixasse, esse post inteiro seria gastronômico, pois umas das coisas que precisei aprender aqui no Canadá, foi cozinhar os pratos brasileiros que mais sinto saudade de comer. Se você fizer uma pesquisa com brasileiros que moram no exterior, e perguntar o que sentimos mais saudade do Brasil, a grande maioria responderá que sente falta da nossa comida. Assim, aprendi aqui que não posso ficar dependendo de restaurantes brasileiros ou de outras pessoas quando eu sinto vontade de comer os meus pratos favoritos. Pesquisei receitas na internet, assisti videos, comprei os ingredientes, e fui à luta.

Já fiz feijoada, coxinha, esfiha, canjiquinha mineira, tutu de feijão, além de outras coisas que sinto vontade de comer de vez em quando. Os ingredientes para esses pratos são possíveis de ser encontrados por aqui, portanto, aquilo que dá para fazer, não fico mais esperando alguém fazer para mim. Esse foi um aprendizado que levarei para a vida.

2-      Não sair de casa amarrotado

Há alguns meses eu movimentei os stories do Instagram com a pergunta “Você passa a sua roupa no Canadá?” e vi pessoas de várias cidades daqui expressando a opinião delas sobre esse assunto. A minha resposta para a pergunta foi que sim, eu passo as minhas camisas sociais que uso para trabalhar, pois não gosto de sair de casa com as roupas amassadas.

Acontece que eu nunca tinha precisado passar uma camisa social antes, então, foi algo que precisei aprender. E como é que um marmanjo aprende alguma coisa hoje em dia? Pesquisando na internet, é claro. Encontrei um vídeo no Youtube de uma senhorinha ensinando técnicas para passar bem uma camisa social. O que eu fiz? Comprei uma tábua, um ferro e coloquei a mão na massa.

Hoje, ligar o ferro e passar a camisa que vestirei no dia já virou um hábito, mas no começo, confesso que precisava acordar muito mais cedo para fazer isso. Não tenho paciência para passar todas as camisas de uma só vez, então acabo fazendo isso na manhã antes de ir trabalhar e passo apenas uma.

 3-      Medo do telefone

Eu não sei vocês, mas eu não gosto nenhum pouco de falar ao telefone, principalmente, aqui, em inglês. Essa foi uma das coisas que precisei aprender na marra: encarar o medo.

É muito comum aqui, por uma questão logística, termos reuniões por telefone (conference calls), e isso me deixava em pânico no início. Além disso, sou o responsável por fazer as ligações para as referências dos candidatos que contratamos aqui na empresa. Desta forma, com medo, ou sem, eu tenho que encarar o desafio e ligar. Acho que a lição que aprendi aqui, foi muito mais do que simplesmente perder o medo de falar ao telefone, e sim o fato de encarar os desafios que aparecem. Sim, mudar de país faz com que tenhamos que enfrentar alguns obstáculos, muitas vezes, pessoais, e sempre acabamos aprendendo com eles.

Ainda não gosto de fazer ou atender uma ligação quando tem gente perto de mim, mas isso foi se tornando cada vez mais natural com o passar do tempo. Claro que o desenvolvimento do idioma ajuda bastante nesse processo, então, espero que daqui um tempo, essa insegurança de falar, vá ficando cada vez mais parte do passado.

 4-       O amargo também pode ser bom

Por estar diretamente relacionado aos cuidados com a saúde, acredito que esse aprendizado aconteceria independentemente da minha vinda para o Canadá, entretanto, acho que pelo meu consumo de café ter aumentado bastante desde que cheguei aqui, entendo que devo sim incluir esse item na lista das coisas que precisei aprender desde que cheguei. Sim, aprendi a gostar de café sem açúcar, coisa que jamais me imaginei fazendo quando morava no Brasil.

É muito comum por aqui, no meio do expediente de trabalho, alguém se oferecer para ir ao Tim Hortons (ou afins) para buscar um café para os demais do escritório. Nem sempre eu acabo tomando, mas confesso que várias vezes eu acabei pedindo um  apenas porque os demais colegas estavam comprando também. Se cada vez que eu fizesse isso eu adicionasse açúcar, o meu consumo aumentaria demais, e todos sabemos que isso não é recomendável. Assim, depois de muita cara feia, me forcei a tomar o café sem açúcar, e depois de alguns dias, eu já estava totalmente acostumado com isso.

Em minha visita recente ao Brasil, deixei todos de casa espantados quando eu disse que tomaria meu café amargo. Aliás, durante os dias que estive por lá, todos da minha casa acabaram aderindo, mas sempre reclamando e fazendo caretas. Tenho certeza de que quando vim embora, já retornaram aos velhos hábitos.

A verdade é que hoje me sinto bem fazendo isso, então é algo que acabou sendo benéfico e que vale a pena continuar.

5 – Perder o sono quando preciso

Sabe essa foto do café aí de cima? Pois bem, vou usá-la novamente aqui, pois ela está diretamente relacionada com o quinto item da minha lista.

Já tem aproximadamente 2 anos que precisei aprender a fazer algo que nunca me imaginei fazendo antes: trabalhar no turno da noite. Posso dizer, com toda certeza, que esse é um dos maiores desafios que enfrentei por aqui.

Em toda a minha carreira profissional no Brasil, sempre trabalhei em escritório e, normalmente, dentro do horário comercial. Quando fui contratado aqui no Canadá, sabia que estava trabalhando em uma organização que atua 24 horas por dia, 7 dias na semana, no entanto, o escopo do meu trabalho pertencia ao horário comercial e nunca precisei me preocupar com isso. Com o passar do tempo, e com o crescimento das responsabilidades e funções, acabei sendo inserido no time de gestores que trabalham em prontidão, ou seja, que precisam estar aptos a trabalharem fora do horário normal caso exista uma necessidade.

Essa semana, por exemplo, recebi uma ligação no meio da noite (1 da manhã para ser mais exato), que demandava a minha presença no escritório. Não tive nem tempo de pensar duas vezes. Levantei, troquei de roupa, lavei o rosto, escovei os dentes e pronto, fui trabalhar. Vocês conseguem imaginar o quanto isso é difícil para alguém que não está acostumado com a vida noturna? Nem em festas eu consigo ficar acordado a noite toda, quem dirá no trabalho, onde não apenas preciso me manter alerta, como também preciso ser produtivo. E por mais difícil que isso seja para mim, eu consegui fazer. Gosto? De jeito nenhum, mas ao final do meu dia de trabalho, eu tenho aquela sensação de dever cumprido, e isso sim me dá o maior orgulho. Não sou acionado por qualquer motivo, e quando sou, sei que minha presença é fundamental, então, mesmo contrariado, vou e dou o melhor de mim. Isso sim é o que eu chamo de crescimento e aprendizado.

6- Não precisei aprender, mas aprendi mesmo assim

Nem tudo aquilo que aprendemos tem que ser fruto de algo ruim, certo? Pois bem, desde que me mudei para o Canadá, aprendi a gostar de cerveja. Isso também foi uma novidade para os meus familiares quando fui lá visitá-los.

Já escrevi aqui no Blog sobre a minha sensação ao visitar o LCBO na época em que ele era um dos únicos lugares que vendia cervejas aqui em Ontário. Com o tempo, fui me acostumando a frequentar as lojas de bebidas e escolher diferentes cervejas para provar, seja porque alguém recomendou, porque gostei da embalagem, ou porque fiquei curioso mesmo para saber o sabor. Também fiz um post aqui no Blog provando diferentes cervejas, e agora que estou falando sobre isso, percebi que já está na hora de fazer isso de novo.

A verdade é que depois que cheguei aqui comecei a gostar de beber uma ou duas cervejas quando estou com amigos, ou mesmo quando estou sozinho, principalmente enquanto cozinho. Nunca ultrapasso os meus limites e também não bebo todos dias. Quando estou de prontidão, por exemplo, como citei no item acima, nem posso pensar em tomar uma geladinha, mas quando estou livre, gosto sim de provar as cervejas locais ou simplesmente, repetir aquelas que se tornaram minhas favoritas.

Alguém mais aí aprendeu a gostar de cerveja depois que chegou aqui? Se sim, me conte aqui nos comentários e me deem sugestão de cervejas para eu provar.

Agora que já listei as 6 coisas que aprendi desde que cheguei no Canadá, convido-os a visitar também os demais blogs participantes deste projeto. Tenho certeza que as experiências relatadas por lá, acrescentarão ainda mais para aqueles que vivem ou pretendem morar aqui no Canadá.

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Priscila – Victoria – Embarque com a Pri 

Elisa – Edmonton – Casei e Mudei

Mariana – Calgary – Mariana Day Blog – De bem com a vida no Canadá

Dani – Newmarket – Vidal Norte

Gabriela – Toronto – Gaby no Canadá

Cuidados com a pele durante o inverno

Se enquanto eu morava no Brasil alguém me perguntasse se eu usava algum cosmético ou hidratante para o corpo, a minha resposta seria não. Nunca tive o hábito de usar nada que se enquadrasse nessa linha de produtos de beleza.

Aqui no Canadá, no entanto, existem alguns cuidados que devemos ter com a pele por causa das baixas temperaturas que estamos expostos durante vários meses de inverno. Nesse caso, a utilização de produtos para o corpo não está relacionada à vaidade, mas sim a saúde.

Não tenho paciência para criar uma rotina de cuidados, e confesso que não gosto nem um pouco da sensação de creme melecado no corpo na hora de vestir uma roupa. No verão, não existe a menor possibilidade de usar um creme hidratante e sentir a roupa grudando na hora de me vestir.

Assim, escolhi 3 produtos que são fáceis de aplicar, são relativamente baratos, encontro em qualquer mercado ou farmácia e, acima de tudo, que me protegem durante os meses de frio extremo aqui no Canadá.

1- Cuidado com a mãos

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Lavar as mãos com água gelada, durante o inverno canadense, é um sacrifício para mim, portanto, sempre que abro a torneira, opto pelo lado da água quente, muitas vezes, quente até demais. Com isso, assim que a temperatura externa cai, já começo a sentir as minhas mãos ficando ressecadas, coçando, descascando, enfim, sei que é a hora de começar a usar algo para dar um jeito no problema. Desde que cheguei no Canadá, no inverno de 2014/2015, conheci esse creme para mãos da marca Glysomed, e de lá para cá tenho usado-o em todos os anos. Costumo deixar um no escritório também, caso sinta a necessidade de reaplicar durante o dia. O último que comprei, paguei menos de CAD 9,00 na farmácia Rexall por uma embalagem de 150ml. Se você que está lendo este post precisa de algo para deixar as mãos hidratadas e saudáveis, não deixe de experimentar esses creme.

2- Cuidados com os lábios

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É só o frio começar, que eu já começo a sentir os lábios ressecando e começando a rachar. Se a temperatura fica negativa, então, já sei que se eu não cuidar, corre o risco até de começar a sangrar. Essa sensação desconfortável logo passa assim que começo a usar um protetor labial. Não tenho preferência por marcas, aliás, uso sempre aquela que estiver com o valor mais acessível. No momento estou usando o protetor da marca Burt’s Bees e estou bastante satisfeito com o resultado. Não acho ele pegajoso, não fico com os lábios brilhando, e mesmo assim sinto que estou sendo protegido. Assim como o creme de mãos, deixo sempre um lá no escritório, assim posso usar sempre que sinto a necessidade.

3- Cuidados com a pele

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E por último, não posso deixar de indicar esse creme hidratante que foi uma das melhores descobertas que tive aqui no Canadá. Ele, assim como a própria descrição já diz, é para cuidado extremo mesmo. Ele protege mesmo naqueles dias de frio extremo em que a pele ficaria toda queimada por causa do frio e do vento. Mesmo depois de um banho bem quente, sinto que quando uso esse produto aí, a pele fica muito mais saudável. Gosto inclusive da textura do creme e não tenho aquela sensação de ficar lambuzado depois que o passo. Recomendo o Curel Extreme Care sem a menor dúvida.

Bem, esses são os cuidados que tenho durante o longo inverno no Canadá. Como já disse anteriormente, não me considero vaidoso por utilizar esses produtos, apenas estou cuidado da pele para evitar o desconforto causado pelo ressecamento que o frio provoca.

E vocês, tem algum cuidado especial também? Conte aí nos comentários, assim outras pessoas ficam conhecendo opções de produtos no mercado.

Um abraço a todos e até a próxima!!!

A minha Black Friday

img_3965Quem me acompanha pelo Instagram provavelmente percebeu que não postei absolutamente nada a respeito de compras e Black Friday, que ocorreu na última sexta-feira, dia 29 de Novembro. Na verdade, as promoções que acontecem, normalmente, na sexta-feira depois do Dia de Ação de Graças dos Estados Unidos, começaram por aqui há mais ou menos uma semana. Nesses dias, os sites das lojas e grandes redes de supermercados, anunciam uma grande variedade de produtos em promoção, e, muitas vezes, com preços imperdíveis.

Acontece que nem sempre estamos à procura daqueles produtos que estão em oferta, ou, não temos condições financeiras, no momento, de aproveitar os descontos mesmo com os preços mais baixos.

Existe um mito de que quem mora no exterior deixou o Brasil para ganhar rios de dinheiro. Quantas vezes já ouvi a expressão “mas você ganha em dólares!” e precisei explicar, incansavelmente, que eu vivo no Canadá e pago todas as minhas despesas em dólares também. As pessoas acreditam que por trabalharmos aqui, e, por recebermos os nossos salários em dólares, multiplicamos esse valor por 3 (atual valor de conversão para o real), e consequentemente, estamos ricos. Santa inocência!

Antes de me mudar para o Canadá, eu tive a oportunidade de viajar de férias para cidades como Miami, Nova York e mesmo Toronto e outras cidades canadenses. Na ocasião, o valor do Real em comparação ao Dólar, não tinha uma diferença tão exorbitante. Assim, já que eu estava de férias, tinha trabalhado o ano todo sem parar, tinha conseguido juntar algumas economias, aproveitava essas viagens e comprava tudo o que eu precisava. Costumava fazer um estoque de camisas sociais para o ano todo, portanto, eu voltava para o Brasil e não precisava comprar sequer uma peça de roupa até as férias do ano seguinte. Achava tudo muito barato e sonhava com o dia de poder morar em alguma dessas cidades, e comprar tudo aquilo que eu via, com aquele preço justo e qualidade inquestionável.

Acontece, que quando a gente muda para essas cidades, nossa vida não é mais uma férias de verão. Aqui temos responsabilidades, compromissos, inúmeras contas para pagar. Aquela carteira cheia de notinhas verdes que a gente trazia nas férias, não existe mais. A vida no exterior é diferente da vida de turistas. Aprendi isso na marra.

Obviamente não estou com este post dizendo que depois que alguém muda para o Canadá, ou qualquer outro país, essas pessoas, por via de regra, passam por dificuldades financeiras. Não, não é isso. No meu caso, por exemplo, posso dizer que trabalho bastante e consigo arcar com as minhas despesas, mas já não tenho mais a coragem, ou a oportunidade, de ir ao shopping e encher uma sacola de compras com coisas que talvez eu nem vá usar tanto assim, apenas porque elas estavam em promoção. Sim, eu mudei bastante ao longo dos quase 5 anos que estou vivendo aqui.

A Black Friday, neste contexto que criei acima, veio para mim como um dia qualquer. Não estou precisando de nada neste momento, embora tenham itens que eu gostaria muito de ter comprado.Ainda dá tempo? Sim, as ofertas costumam ir até a segunda-feira, principalmente para as compras online. Assim, ainda tenho um tempinho para fazer as minhas pesquisas e verificar se realmente vale a pena comprar agora, ou esperar o Boxing Day, que acontece no dia 26 de Dezembro aqui no Canadá, e costuma ser tão bom quanto o evento americano do Thanksgiving.

Meu objetivo em escrever este post foi mais para servir de alerta às pessoas que estão planejando vir para o Canadá iniciar a sua vida, que não dá para nos basearmos em tudo o que vemos pela internet, ou pelas nossas próprias experiências das vezes que viajamos para o exterior de forma temporária. A vida de expatriados, embora cheia de qualidades e pontos positivos, é muito diferente da vida perfeita que costumamos a ver nas redes sociais. E se você que está lendo este post até o fim, assim como eu e a grande maioria que chega aqui, não está vindo com a carteira cheia de notinhas verdes, não se frustre se não conseguir comprar tudo aquilo que deseja, pois o que pode não ser possível hoje, talvez será amanhã, então tenha paciência para saber esperar o tempo certo das coisas acontecerem, afinal, a Black Friday acontece todos os anos.

 

Projeto 6 on 6 Canada – Novembro 2019 – Minhas 6 melhores memórias de 2019

Como hoje é dia 6, vocês já sabem que é dia de compartilhar um texto que faz parte do Projeto 6 on 6 Canada. Nele, eu e mais 5 outros blogs do Canadá falamos sobre o mesmo tema, obviamente, com as características individuais e experiências de vida. Vale sempre a pena espiar o conteúdo das demais participantes.

Este mês, já que estamos nos aproximando do final do ano, falaremos sobre as nossas 6 melhores memórias de 2019. Preparados? Então vamos lá!

2019 começou bem turbulento, e quando paro para pensar naquele início de ano, não consigo imaginar que teria tantas memórias boas para preencher essa página de hoje. Vou colocá-las na ordem cronológica apenas para facilitar a minha vida, mas já aviso que não, necessariamente, estão na mesma ordem de importância.

1- Férias

O inverno de 2018/2019 foi bem rigoroso por aqui. Vários dias de neve, freezing rain, alertas de frio intenso, etc. Eu precisava sair de férias, tanto para descansar, quanto para fugir das temperaturas negativas. Cuba nunca tinha sido um destino que me chamava atenção. Acredito que por questões políticas, nós brasileiros, deixamos esse país esquecido e talvez até desconhecemos o quanto é bonito por lá.

Quando cheguei no Canadá e descobri que Cuba é o destino favorito deles, até mesmo por causa do preço, fiquei curioso para conhecer. Assim, na primeira oportunidade que tive, arrumei as malas, tirei as roupas de calor que já estavam quase mofando no armário e fui passar uma semana num Resort All Inclusive em Cuba.

Foi a melhor semana que eu poderia ter. Durante 7 dias minha rotina era: mar azul, drinks ilimitados, cervejinha Tabajara (Cristal), comida à vontade, e depois, repetir tudo isso novamente. Foi demais! Já quero fazer isso de novo no próximo ano e, sem dúvida, essa viagem ficará para sempre em minha memória.

2- Churrascaria Brasileira

Meus leitores veganos que me perdoem, mas não posso deixar de incluir aqui o meu aniversário, em fevereiro, que comemorei com meus amigos em uma churrascaria brasileira chamada Touro Brazilian Steakhouse que fica na cidade Richmond Hill, bem pertinho de Toronto.

Fazia muito tempo que eu não comia churrasco, principalmente picanha, então, celebrar os meus 40 anos lá foi a melhor escolha que fizemos. Eles têm uma opção de brunch aos domingos, em que oferecem apenas alguns cortes de carne, e o valor é bem mais acessível do que o almoço ou jantar. Valeu muito a pena, financeiramente falando, e principalmente porque foi uma maneira gostosa de reunir os amigos, fazendo aquilo que mais gostamos: comer.

3- Projeto Meu Canadá

Muitos de vocês que me acompanham hoje, provavelmente me conheceram através da minha participação no Projeto Meu Canadá. Nele, eu fiquei 24 horas controlando o perfil do Instagram @meu_canada e fiquei postando stories com aquela conta. Foi um dia de pop star, porque fiquei praticamente em tempo real postando, respondendo perguntas, lendo comentários de incentivo, recebendo cantadas (essa parte é mentira), enfim, apresentando Hamilton e a minha experiência no Canadá para um público que nunca tinha me visto na vida.

Foi naquele dia que eu tive a certeza de que quero dar continuidade ao meu trabalho aqui nas redes sociais e não deixar o Blog Vivendo em Hamilton ficar às moscas como já ficou no passado.

Ganhei uma visibilidade super importante naquele dia, e melhor, conheci pessoas de outras partes do Canadá que hoje considero como especiais. Não posso esperar para conhecê-los em alguma oportunidade. Dia 4 de Julho ficará na memória, como o dia que literalmente derreti em frente às câmeras (fez 40 graus), mas que dei o pontapé para esse blog ganhar vida novamente.

4- Camping

Já falei aqui neste post que fui acampar pela primeira vez no verão de 2019, e essa também será uma ótima lembrança deste ano. Foi muito divertido e atendeu exatamente às minhas expectativas. Acabei não indo de novo por falta de tempo e/ou programação, mas em 2020 espero aproveitar para conhecer outros parques e regiões daqui de Ontário que ainda não tive a oportunidade de conhecer. Tudo isso dentro da minha barraca.

Quem ainda não leu o meu post em que falo sobre a minha experiência, recomendo. Acampar foi uma experiência marcante e, sem dúvida, algo que levarei como hobby enquanto eu tiver disposição e saúde para tal.

5- Shows

Em 2019, até o momento, tive a oportunidade de ir a dois shows de artistas que eu admirava há anos lá no Brasil. Um deles foi o cantor Canadense Michael Bublé que eu já havia tentado ver outras vezes em São Paulo, e nunca tinha conseguido comprar os ingressos. Aqui tentei ir no show em Toronto, mas tive problemas com os tickets que comprei através do site Stub Hub e fiquei lá na porta sem poder entrar. Persistente, comprei os ingressos para o mesmo show, mas em London, e dessa vez deu tudo certo. Foi um showzão, e fiquei bem feliz por ter insistido.

Depois disso fui ver Luke Bryan aqui em Toronto. Nenhum dos meus amigos gostam de country music, então comprei o ingresso e fui solo. Acho impressionante como aqui a gente consegue fazer essas coisas, e mesmo que não fique baratinho, sai bem mais em conta do que um show desse nível lá no Brasil. Não me lembro de ter ido em nenhum show de artista internacional por lá, portanto isso é algo que jamais esquecerei. 2019 está realmente trazendo boas memórias. Quem diria, eh!

6- A memória que ainda não aconteceu

Isso mesmo, não aconteceu, mas já marcou. Amanhã vou ao Brasil passar duas semanas de férias, então já sei que terei muitas e muitas lembranças boas por lá.

Um dos principais motivos da minha ida é para celebrar o primeiro aniversário da minha sobrinha, que ainda não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente. Quer melhor memória do que um encontro desses? Sei que será muito especial. Terei duas semanas para causar uma impressão na minha pequena, para que ela saiba que o titio está aqui longe, mas que a ama demais.

Além disso aproveitarei para matar a saudade de toda a família e para comer tudo e um pouco mais. Duas semanas passarão rapidinho, mas quero fazer o tempo, e o investimento, valerem a pena.

Agora que vocês já sabem quais foram, ou serão, as minhas melhores memórias de 2019, convido-os a visitar o blog das demais participantes deste projeto e descobrir quais foram os momentos marcantes na vida delas neste ano. Como estamos em regiões diferentes do Canadá, é possível que o post delas seja publicado mais tarde, mas já deixe os blogs delas salvo, assim vocês não perderão nada que elas compartillharem ao longo do dia.

Priscila – Victoria – Embarque com a Pri 

Elisa – Edmonton – Casei e Mudei

Mariana – Calgary – Mariana Day Blog – De bem com a vida no Canadá

Dani – Newmarket – Vidal Norte

Gabriela – Toronto – Gaby no Canadá

Atualizando os números por aqui

Em Maio de 2019 escrevi o texto Hamilton é uma cidade violenta/perigosa? em que falo um pouco sobre a violência e trago os números de homicídios na cidade.

Na época, me lembro de ter feito uma previsão de que o número de homicídios de 2019 seria tão alto, ou maior do que o dos últimos anos. Infelizmente tenho que admitir que eu estava correto. Hoje pela manhã, quando acessei a internet para checar meus e-mails, já vi a notícia de que na noite anterior houve um duplo assassinato na região central da montanha, contabilizando um total de 12 homicídios em 2019 até o momento.

Desde que iniciei meu trabalho aqui no Blog e, mais recentemente, no Instagram, tenho tentado trazer conteúdos importantes da vida cotidiana no Canadá, em especial na cidade de Hamilton, e sempre que tenho uma oportunidade, declaro o meu amor pela cidade. Mas, quando chega a hora de expor as fragilidades da região que escolhi para seu meu lar, não posso “cobrir o sol com a peneira” e fingir que nada está acontecendo.

Recentemente, há aproximadamente um mês, tivemos o caso que, na minha opinião, é o mais triste que aconteceu por aqui. Um adolescente de apenas 14 anos foi agredido e esfaqueado em frente a sua escola, e infelizmente não resistiu aos ferimentos. Segundo sabemos, esse adolescente estava sofrendo bullying na escola pelo mesmo grupo que o atacou no dia de sua morte. Não sei vocês, mas eu tenho uma maior facilidade de entender esses homicídios quando os envolvidos são partes das alguma gangue de rua, ou tem alguma participação maior com a criminalidade, mas quando são casos isolados, como o desse adolescente, realmente fico muito mais preocupado e indignado.

Obviamente que 12 ainda é um número pequeno comparado à realidade que estamos acostumados no Brasil. Acontece que foram 12 vidas perdidas, e 12 famílias (ou mais) abaladas por essas tragédias. Há motivos para repensar sua vinda para Hamilton? Creio que não. Como já falei anteriormente quando publiquei o post original, a grande maioria desses assassinatos tiveram alguma motivação e não aconteceram aleatoriamente. Não corremos o risco de andar pela rua e sermos surpreendidos por uma bala perdida, por exemplo.

Mas, a morte do adolescente Devan Bracci-Selvey, de 14 anos, deve trazer sim uma discussão maior em relação a como estamos educando as nossas crianças, e do cuidado que devemos ter quando o assunto é o bullying, sejam os nossos filhos a vítima ou o agressor. Sim, nossos filhos podem ser os agressores e não podemos fechar os nossos olhos para essa realidade. A escola daqui de Hamilton falhou em não tomar medidas punitivas antes que a coisa se agravasse, mas, vocês, como pais, devem fazer isso o quanto antes para evitar que tragédias como essa continuem acontecendo.

Apenas por curiosidade, o suspeito de ser o responsável pelo duplo assassinato que ocorreu na última noite, foi encontrado morto hoje pela manhã, no hotel em que estava hospedado em Brantford, cidade vizinha daqui de Hamilton. Segundo se sabe, ele tirou a própria vida após cometer o homicídio do casal aqui na montanha. Desconheço os fatos, mas já acho a história sinistra mesmo sem saber a motivação.

Não gosto de escrever sobre este tema, mas quando decidi representar a cidade de Hamilton para os brasileiros que pretendem viver por aqui, acredito que assumi um compromisso com a realidade, e mascarar fatos não faz parte da minha verdade. Sinto muito se, com isso, interferi no planejamento de alguém que planeja vir para a cidade, mas acho que isso também deve ser levado em consideração quando estamos na fase de planejamento e escolha do lugar para morar.

Novamente, não imagino que isso deva mudar ou influenciar a opinião de alguém, mas essa é apenas a minha opinião. Cada um sabe exatamente quais são os pontos cruciais para a escolha do lugar para viver. Resta-nos torcer para que esse número pare por aí.

Um abraço a todos e até a próxima!!